|
Há quarenta
anos (1964) foi publicada a primeira edição
de Os meios de comunicação como extensões
do homem, um dos livros mais importantes na obra
de Marshall McLuhan.
Nesse
livro McLuhan afirmou que o meio é a mensagem,
que as tecnologias admitem ser consideradas como
prolongamentos de nosso corpo e nossos sentidos,
que é possível distinguir entre meios
quentes e frios. Além disso, McLuhan antecipou
o trânsito à “aldeia global”.
Na
realidade poucos acadêmicos e investigadores
na Ibero-américa repararam na importância
da obra de McLuhan, que foi estigmatizado como “gringo” e “funcionalista”.
Uma das primeiras desqualificações
correu a cargo de Carlos Monsiváis, que em
Días de Guardar incluiu um ensaio no qual
emprendeu uma desafortunada crítica a algumas
das principais teses de McLuhan.
McLuhan
era canadense e de maneira nenhuma admite ser classificado
no “funcionalismo”. Hoje é reconhecido
como fundador de uma das mais importantes escolas
de comunicação: a media ecology - o
termo foi proposto por Neil Postman- . Tal escola
reúne pensadores da altura de Neil Postman,
Susan Sotag, Joshua Meyrowitz, Edmund Carpenter,
Elizabeth Eisenstein, James Carey, Walter Ong, Harold
Innis, Paul Levinson, Lance Strate e Eric McLuhan.
McLuhan
não somente anunciou o advento da aldeia global
e o mundo globalizado, em Os meios de comunicação
como extensões do homem (1977:26-27) antecipou
com impressionante clareza o advento da Internet:
“Depois de três mil anos de explosão por meio de técnicas
fragmentárias e mecânicas, o mundo do Ocidente entra em implosão.
Durante as eras mecânicas prolongamos nossos corpos no espaço. Hoje
em dia, depois de mais de um século de técnica elétrica,
temos prolongado nosso próprio sistema nervoso central em um alcance total,
abolindo tanto o espaço como o tempo enquanto se refere a nosso planeta.
Estamos acercando-nos rapidamente à fase final das prolongações
do homem, ou seja a simulação técnica da consciência
quando o desenvolvimento criador do conhecimento se estenda coletiva e conjuntamente
ao total da sociedade humana, do mesmo modo em que já temos ampliado e
prolongado nossos sentidos e nossos nervos valendo-nos dos distintos meios”.
De
acordo com McLuhan, o nível de participação
dos usuários determina se os meios admitem
ser considerados como quentes ou frios. Os meios
quentes permitem menos participação.
Consequentemente a Internet poderia ser considerado
como meio frio, pois a impressionante interatividade
de seus usuários representa um dos principais
elementos distintivos do meio que admite ser considerado
como “inteligente”.
Nos anos recentes acadêmicos, investigadores e a comunidade
sensível de Internet têm reparado a importância
da obra de McLuhan. Marshall McLuhan – é justo
reconhecê-lo -, admite ser considerado como um autêntico
e visionário das comunicações digitais.
Efetivamente é possível entender os meios de
comunicação como prolongações
do homem. As avançadas tecnologias de informação
e comunicações nos introduzem na sucessiva
conformação de ambientes culturais. Cada novo
meio de comunicação transforma o modo como
criamos e nos comunicamos, modificando também o sistema
de meios de comunicação no ambiente cultural
vigente -processo de re-mediação-.
Na
América Latina se tem concedido uma importância
desmedida a chamada “teoria das mediações”,
a qual definitivamente resulta muito limitada para
empreender a investigação das ações
comunicativas no imaginário do ciberespaço. É indispensável
empreender a construção de uma “teoria
das interfases”, e o ponto de partida naturalmente é McLuhan.
McLuhan,
M. (1977). Os meios de comunicação
como extensões do homem. México,
Diana.
|